A Prefeitura de Coxim divulgou uma notificação pública exigindo que proprietários de imóveis urbanos realizem a limpeza de terrenos em situação de abandono, insalubridade ou degradação que comprometa a estética urbana, a segurança e o bem-estar coletivo. A medida, amparada pelo Código de Posturas Municipal, Código Civil e Estatuto das Cidades, prevê multas, execução subsidiária, inscrição em dívida ativa e até responsabilizações judiciais para quem descumprir as determinações. No entanto, o que era para ser um alerta à população rapidamente se transformou em um estopim de revolta nas redes sociais.
Logo após a divulgação da nota, moradores passaram a publicar fotos e vídeos denunciando terrenos pertencentes à própria prefeitura em completo estado de abandono. Em diversas imagens, o mato alto cobre calçadas, avança sobre ruas e divide espaço com lixo, terra acumulada e buracos no pavimento, expondo uma realidade que, segundo os próprios moradores, contradiz o discurso oficial. A pergunta que ecoa nas redes é direta e incômoda: quem fiscaliza a prefeitura? Onde denunciar quando o poder público não faz o dever de casa?
A indignação se intensifica justamente porque a notificação municipal cita expressamente a “degradação que comprometa a estética urbana”. Para a população, as imagens compartilhadas demonstram que essa estética já está comprometida há muito tempo, não apenas por terrenos particulares abandonados, mas também por áreas públicas sem manutenção adequada. Ruas sujas, pavimento deteriorado e espaços tomados pelo mato reforçam a sensação de incoerência entre a cobrança feita aos cidadãos e a prática do próprio município.
Apesar da revolta, muitos moradores reconhecem que o cuidado com terrenos é uma obrigação legal e social de cada proprietário. Manter lotes limpos evita a proliferação de mosquitos transmissores de doenças, como dengue e chikungunya, reduz a presença de animais peçonhentos, melhora a segurança, valoriza os imóveis vizinhos e contribui diretamente para uma cidade mais organizada, saudável e visualmente agradável. São benefícios claros e inquestionáveis, amplamente aceitos pela população.
O que revolta, porém, é o sentimento de hipocrisia apontado nos comentários e publicações. Para muitos, não se trata de rejeitar a fiscalização, mas de exigir coerência. A cobrança, dizem, só é legítima quando o poder público dá o exemplo. “Cobrar dos outros é fácil, quero ver fazer o dever de casa”, resume uma das frases mais repetidas nas redes sociais, sintetizando o descontentamento popular.
A notificação informa ainda que o município realizará fiscalizações periódicas para verificar o cumprimento das exigências. Diante da reação popular, cresce a expectativa de que essa fiscalização também alcance os próprios terrenos e áreas sob responsabilidade da prefeitura. Para a população de Coxim, o recado está dado: cuidar da cidade é dever de todos, mas a coerência precisa começar por quem cobra.
Imagens recebidas por seguidores da página @OCOXINENSE no Instagram.


Comentários
Adicione o seu