Indústria biocombustíveis investe R$ 106,7 bi até 2035 no Brasil

A indústria brasileira de biocombustíveis deve investir R$ 106,7 bilhões em bens de capital entre 2026 e 2035, com o objetivo de ampliar a capacidade produtiva do setor em todo o país. A expansão é impulsionada pela Lei do Combustível do Futuro, que prevê o aumento da participação dos biocombustíveis na matriz energética nacional e a redução das emissões de gases de efeito estufa.

A estimativa é da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e foi elaborada com base em aportes já anunciados, investimentos previstos e autorizações concedidas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O pacote de investimentos contempla diferentes segmentos estratégicos da cadeia de biocombustíveis.

O maior volume de recursos será destinado ao etanol produzido a partir de cana-de-açúcar, milho e tecnologias de segunda geração, que deve receber R$ 66,2 bilhões. Os projetos de combustível sustentável de aviação (SAF) e diesel verde somam R$ 27,9 bilhões em investimentos. Já o biodiesel deverá contar com R$ 9,5 bilhões, enquanto o biometano deve receber R$ 3 bilhões. Outros R$ 100 milhões estão previstos para projetos de captura e armazenamento de carbono de origem biológica (bio-CCS).

O dinamismo do setor foi destacado pelo deputado Arnaldo Jardim, que ressaltou o papel da nova legislação na atração de investimentos. Entre os projetos de maior porte, a empresa Acelen planeja investir US$ 3 bilhões na implantação de uma biorrefinaria de combustível sustentável de aviação na Bahia.

A Lei do Combustível do Futuro também estabelece novas exigências para o mercado de gás natural. Os compradores deverão cumprir metas de redução de emissões por meio do uso de biometano ou de Certificados de Garantia de Origem do Biometano (CGob). A meta inicial de redução será de 0,25% em 2026, após ajuste em relação a 2025, com retorno aos patamares entre 1,5% e 2% a partir de 2027.

Além disso, o avanço do etanol de milho tem atraído investimentos voltados aos setores de aviação e transporte marítimo. A legislação prevê ainda o aumento gradual da mistura de etanol na gasolina e de biodiesel no diesel, além da regulamentação do diesel verde e do estímulo a projetos de captura de carbono, reforçando o papel dos biocombustíveis na transição energética brasileira.

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